domingo, 4 de março de 2012

Adoro gordinhos... e gordinhas

Adoro gordinhos

E as gordinhas também, claro; mas os gordinhos sempre chamaram mais a minha atenção. Como diz minha amiga Samara: “eu tenho uma bordinha de catupiry irresistível”, e não tem como discordar.
Não tinha nada melhor quando eu tava namorando do que dormir abraçadinho, quentinho, com uma pessoa com aquela gordurinha extra levemente palpável, e falar “tudo meu ó, tudo meu”
Num mundo em que a ditadura da academia e da dieta fazem a cabeça das pessoas, é cada vez mais raro encontrar alguém que goste do próprio corpo da forma que é, mas os mestres d orgulho corporal são os gordinhos, que não fazem olhar de culpa quando comem um sanduíche de 30 cm no Subway, ou falam “vamos pro Rodízio?”
Gordinhos também se orgulham dos pelos que têm, em geral, e não ficam com a paranóia de “Estou peludo? Vou fazer depilação semana que vem”
Gordinhos sorriem como criança quando você lembra deles e traz um chocolate, uma fatia de torta, ou coisas mais simples ainda, um sorriso de saudade enquanto o abraçam apertado. E eles sempre vão dizer “Ahn, tô gordo”, mas quem se importa? Gostamos deles exatamente assim, com o excesso de gostosura.
Pra quem gosta de magrinhos ou magrinhas, compreendo, respeito e aceito, mas na minha cabeça sempre vira a lembrança agradável de dormir abraçadinho, quentinho e confortável, quase que abraçando um panda.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Quebrado...



Sou quebrado, das mais diversas e impensáveis formas...

Choro ao anoitecer, na dúvida de que existirá um amanhã melhor que o hoje, e na esperança de ser capaz de fazer a diferença
Choro de solidão, por ser incapaz de criar pontos que sejam capazes de ir até o coração de alguém.
Sou um romântico à moda antiga, incurável, daqueles que já nasce velho, já nasce apaixonado pelo viver, pelo perfume das rosas vermelhas acompanhadas de caixas de chocolate, mesmo que hoje em dia as rosas estejam murchas.
Sou daqueles que olha ocasionalmente o telefone esperando ver uma mensagem dizendo que alguém sente minha falta, ou imaginando que ele vai tocar e alguém vai dizer "pensei em você", e isso nunca acontece.
Sou daqueles que sonha com situações impossíveis, escrevo no caderno, imagino como seriam as fotos, as conversas, imagino cada detalhe, apenas pra apagar depois, porque sei que nunca vão acontecer.
Acordo muito cedo às vezes, mas fico com preguiça de levantar da cama porque sei o que me espera.
E o médico pode até dizer que é depressão, mas o que ele sabe MESMO sobre depressão? O que ele sabe sobre mim?
E quando eu tento conversar com alguém, alguém a quem considero um colega, percebo que ele está muito imerso em seu próprio mundo pra que eu possa contar do meu. Posso culpá-lo? Claro que não, eu que seja capaz de lidar com todas as nuances da minha vida.
Às vezes eu me reviro na cama, tentando olhar as estrelas, e esqueço que do lado de fora da minha janela tem uma árvore cujas folhas impedem a visualização do céu.
E o meu gato que fica ronronando quando eu passo a mão no pescoço dele, é o primeiro a fugir quando abro a porta da cozinha
Talvez, nesse mundo mutável, eu tenha permanecido o mesmo por tempo demais, e esqueci como mudar.
Talvez eu não precise mudar, porque já me aceitei como sou
Talvez, só talvez eu definitivamente esteja quebrado, como os brinquedos esquecidos no fundo das grandes lojas, eternamente esperando pra que alguém me leve até o caixa.
Mas quem pagaria por um brinquedo quebrado, quando pode ter um inteiro?

Talvez estejamos todos quebrados, esperando alguém que nos conserte; perdidos numa sociedade que diz que devemos ser jogados fora e substituídos por um novo.

Talvez... só talvez.... um universo de "talvez" que sufoca e arranca cada palavra não-dita, cada palavra que se tenta escrever


E aí, o plástico da embalagem não deixa mais passar ar, a luz nem se acende mais.

E quando muda o mês, somos levados pro fundo de um depósito e esquecidos.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Despedida

Tem tempos que não passo por aqui, mas não significa que deixei de escrever, só que não ando com muita coragem e ânimo pra postar...

Mas aqui vai um conto fresquinho pra vocês:

Se tivesse uma mesa entre os dois, sobre ela estaria uma caneca com um resto de café, esquecido ainda pela manhã, e um cinzeiro repleto de guimbas de cigarro mal apagadas. Marcas de garrafas de cervejas manchariam a madeira, mas não havia nada entre os dois, e ao mesmo tempo, havia tudo.
-Eu sempre te dei liberdade
-Mas eu queria que vc me cobrasse notícias do meu dia, que mostrasse que se importava
-Eu sempre mostrei que gostava de estar com você
-Mas nunca deixou que meus sonhos florescerem, por conta disso eu estou indo. Preciso de sonhos como você precisa de ar, preciso de doces ilusões pra se oporem aos meus dias cheios, preciso de fantasias com sabores ásperos e cheiros quentes, que sejam úmidas e completamente secas, preciso da eterna antítese de sonhar e estar acordada, e isso você não pode entender....
-Eu não estou entendendo o que você quer dizer...
-Tá vendo? É o principal motivo.
-Você disse que me amava
-E amei, não creio que ainda ame
-Você disse que seria pra sempre
-Eu acreditei que seria pra sempre, pelo visto estava enganada nisso também
-E como ficamos? Não quero te perder...
-Não se perde aquilo que não se tem
-Então foi tudo uma mentira?
-Foram mentiras e verdades, formando nossa realidade por um tempo.
-E de novo você fala difícil
-Porque eu nunca fui boa pra falar, sempre fui boa em sentir, e ficar quieta
-Mas eu sempre quis saber o que estava se passando com você.
-O que não quer dizer que você deveria saber, ou que seria capaz de entender o que se passa nessa minha cabeça
-Na minha cabeça também passam muitas coisas
-Eu nem por um minuto quero fingir que entendo, ou que quero entender. Eu estou partindo.
-Já fez as malas? Precisa de ajuda pra carregar?
-Vou deixá-las aqui, depois alguém virá buscar, levarei só o peso do meu coração e da minha alma; é pesado, mas eu agüento, me fiz forte. Não, não pense que eu estou dizendo que você é fraco; eu sabia exatamente como você era, e foi isso que fez com que eu ficasse com você. Só que agora não é mais suficiente pra mim.
-Não sei como você consegue ser tão fria, dizer isso tudo assim, como se não tivesse valor ou importância.
-Isso é novidade, porque em todo esse tempo juntos sempre coletei os títulos de emotiva, chorona, sofredora, musa de novela mexicana, é bom variar um pouco, é bom não deixar transparecer cada lágrima sangrenta de dentro do meu peito
-Como sempre, você mudando tudo o que eu digo a seu favor, como se você fosse a única ferida. Você está me deixando, porra!
-E você continua gritando comigo, como fez em cada discussão, eu simplesmente perdi a capacidade de me importar depois da sétima ou oitava vez que gritou comigo; decidi que não ia mais esperar você dormir depois de montar em mim pra me lavar e chorar em silêncio no banheiro.
-Sua puta!
-Puta não, ingênua, dediquei muito de mim a você, e agora vou me cuidar de mim. Desejo o melhor do mundo a você, e não me importa mais se você desejar o meu pior; a partir do momento que eu cruzar a soleira daquela porta, será um novo momento pra mim, o momento em que eu tomo as rédeas da minha vida e faço do mundo tudo aquilo que eu quiser que ele seja.

Silêncio por alguns minutos, e ela notou o desconforto dele com aquilo tudo, com uma situação nova com a qual ele não sabia lidar.

-Não precisa me acompanhar, eu sei o caminho, sempre soube, só nunca tive forças pra ir sozinha. Muito obrigado por tudo, desculpe por fazer você chorar.
-Não podemos nem mesmo ser amigos?
-Não
-Mas assim? Seco?
-Não podemos ser amigos porque nunca fomos amigos, e cada vez que você me olhasse, ia pensar que poderíamos voltar e ter alguma coisa, e cada vez que eu te olhasse eu ia lembrar cada um dos motivos que me trouxeram ao dia de hoje. Por isso não podemos ser amigos, por isso você segue seu rumo e eu sigo o meu, e se um dia nos encontrarmos de novo, você mais me olharia com ódio e ressentimento, e eu vou olhar pra você com uma vaga lembrança
E ela encheu o pulmão de ar e moveu os pequenos pés, um de cada vez, nas sapatilhas surradas em direção à porta. A maçaneta girou acompanhada por um gemido de dor das dobradiças. O mundo lá fora não era muito mais amplo do que um corredor e um lance de escada, que os pés dela percorreram devagar. Uma brisa leve vazava por debaixo da porta do condomínio e ela abriu um pequeno sorriso por estar do lado de fora. Estava um belo dia pra uma pizza.



Muito obrigado pelo apoio

quarta-feira, 17 de março de 2010

Espelho

Postagem original pro http://aleatoriamenterom.blogspot.com/ , visto que fui gentilmente convidado a colaborar com alguns textos.

Nah, não faz parte do meu projeto pessoal de microversos distópicos, são pequenas análises de fatos dos meus dias que merecem um determinado destaque... então, vamos ao texto!



"Espelho, espelho meu...

Não, não é conto de fadas, mas é assim que começa o meu post pro Aleatoriamente Rom . Muito prazer, eu sou o Tarso, 25 anos, professor, nerd nas horas vagas e eventual vagabundo de internet.

Nah, não tenho a mínima pretensão de ser cronologicamente exato ou relevante aqui, visto que isso seria contar muita coisa desnecessária, vou me ater a coisas significativas que acontecem/aconteceram comigo ou com pessoas próximas a mim, e que de alguma forma, mudaram minha forma de pensar, ou provocaram alguma reflexão (válida)

Então, sem mais me alongar, vamos ao assunto!

Sou MAGRO, tenho plena consciência disso. Culpa da intolerância alimentar, genética, seja lá o que for. É um martírio, acreditem... porque, se as mulheres acham que ser gordo é problema, ser magro e não conseguir engordar é tão ruim quanto.

Um ano de academia, cinco meses de suplemento recomendado pela nutricionista, e eu engordei o quê? 6 quilos? Seria ótimo se eu não pesasse 50 kg antes.... e quem é que presta atenção em pessoas com cara de criança e corpo minguado? Pois é, na balada é um tormento! Ninguém chega junto, só os exus (nada contra os feios heim? Até porque eu não sou dos melhores... mas pera lá né?)

Olha aí, saí do assunto. Pois bem: Nunca fui fã de ficar me olhando no espelho... o que é HORRÍVEL, porque minha mãe cismou de colocar um espelho ENORME no banheiro, e eu tenho que: ou tomar banho de olhos fechados, ou ficar vendo meu corpinho magrelo; e quando eu saía, abusava da combinação de cores e sobreposições casaco + blusa, porque disfarçam bem, ou pelo menos aparentam disfarçar.

Aí, mês passado me deu alokíssima e eu decidi tatuar as costas. Amei o desenho, todos pra quem eu mostrei adoraram e começaram a perguntar “Vai começar a andar sem camisa agora? Pra mostrar?”

JAMAAAAAAAAAAAAAAIS! Pelamordedeus né? Andar sem camisa só se for pra mostrar alguma coisa que valha à pena ser mostrada!

Mas fato que muita gente tem comentado que eu estou com o rosto mais cheinho, a barriga começou a ficar definidinha, e quando postei fotos da tatuagem como avatar do MSN, as pessoas “MEU DEUS, QUE COSTAS LARGAS!” eu meio que desconfiei que fosse zoação.

O teste foi na sexta-feira, fui com um amigo pro Cine Ideal, uma boate aqui do Rio de Janeiro, porque a Lorena Simpson ia fazer show. Não conhece? Google it! Mas então... UM CALOR... fiquei uma hora na fila VIP pra poder entrar, chegando lá, vira-vira de Hi-Fi, Cuba Libre e outras coisas alcoólicas (podem me chamar de bebum depois) e a música eletrônica tocando, o calor subindo (não, ainda não estava bêbado, nem fiquei), um menino muito bonitinho me olhando, passando por mim direto e eu na minha, droga, sou magro, tenho cabelo prateado, será que ele está me dando mole ou está pensando “nossa, como ele é magro!”, e eu NUNCA cheguei em ninguém na vida... mas era hora do vamos ver né? Quando ele passou de novo por mim eu o segurei pela mão e fiz a pergunta, ele riu, e ficamos a noite toda.

E o calor subindo, até que eu olhei pros lados, cheio de caras saradões, sem camisa, e eu com meu corpo franzino e, quer saber? Chega de ter pena de mim mesmo, chega de sentir vergonha pelas coisas que eu não tenho e começar a sentir orgulho do que é meu! Tirei a camisa. As pessoas elogiaram a tatuagem, as minhas costas, a barriga que começa a apresentar gominhos, mas eu nem ligo pras pessoas, eu estava acompanhado então, e ele disse “nossa, você é um magro definidinho, queria ser assim, eu sou um magro feio”

E acertou em cheio em mim. Até então, eu tinha plena consciência de que existem pessoas desconfortáveis com o fato de serem magras, mas não conhecia nenhuma. Abracei-o pela cintura e disse no ouvido dele “Eu não acho. E não é um flerte. Acho que você tem que gostar de si mesmo do jeito como é”

AHHHH QUE LINDO NÉ? Parece hipócrita? Até parece. Mas o que não gostamos de nós mesmos, temos plena liberdade de tentar mudar, de forma saudável e responsável. Nesse um ano de academia, com altos e baixos, xingando o professor pela minha série pesada, reclamando com a nutricionista pela dieta, me regulando pra comer a cada 3 horas, eu tenho feito o possível pra me sentir bem comigo mesmo, e acho que isso finalmente chegou.

Nah, eu ainda quero ficar mais definido e mais fortinho... todo mundo pode melhorar, um corte novo de cabelo, mais abdominais pra queimar os pneuzinhos, uns pesinhos pros braços não parecerem gravetos, uma bicicleta pras perninhas saradas... nem que seja uma caminhada e subir escada. Isso todo mundo pode fazer. Nós somos os maiores interessados e os nossos maiores aliados na tentativa de nos sentirmos bem, só que na maior parte das vezes, desanimamos.

A noite acabou, trocamos telefone. Eu, que fui Marilyn Monroe pra boate voltei Marilyn Manson, devastado. Cheguei em casa, peguei o pijama, fui pro banheiro tomar banho. E o bendito espelho estava lá, mostrando minhas olheiras de sono, a testa com suor. Mas por algum motivo, eu não olhei pra nada disso, não pensei em nada que me aborrecesse ou me deixasse pra baixo. Aquele espelho não precisava ser meu inimigo, ele podia me mostrar as áreas onde eu preciso melhorar sim, mas ele também me mostra tudo o que já melhorou em mim.

Não quero dar uma da Madrasta Má, “espelho, espelho meu, existe alguém neste reino mais bela do que eu?”. Não quero um troféu de Miss ou de Mister, quero me sentir bem comigo mesmo... e isso depende exclusivamente de mim.

E com essa nova verdade e convicção na vida, o banho foi muito mais relaxante, e eu deitei na cama e dormi PESADO.

Agora, como nós encaramos nossos espelhos, depende unicamente de nós. Podemos ver sim, que existem pessoas mais bonitas. Podemos ver que existem pessoas mais feias. Podemos nos ver como realmente somos. Podemos nos ver como queremos ser. E vocês, como se vêem nos seus espelhos?"


E eu deixo essa pergunta pra vocês... como se vêem em seus espelhos?

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Apresentação

Pois é, me apresentar AGORA, com três contos já postados?

É, tem apresentação agora.

Bom, meu nome é Tarso, eu tenho 24 anos (idade crítica -rsrsrsrsrs-), moro no Rio de Janeiro, sou formado em Letras: Português-Inglês pela UFRJ e faço Especialização em Literaturas de Língua Inglesa pela UERJ.

Esse blog é meu templo secreto, onde eu posso esquecer um pouco do meu dia, do trabalho, das minhas frustrações, e dar vazão a coisa que eu mais amo no mundo...escrever.

Sem nenhum tema específico...sentar e escrever apenas, sobre quaisquer coisas que me venham à mente, sem me preocupar se alguém vai ler, ou se vai gostar, ou se vai ser significativo.

Então eu sento, coloco uma música pra tocar, e deixo a imaginação agir.

Cada conto aqui é único, postado assim que eu finalizo, sem nenhum leitor teste...mas claro que eu tenho meus favoritos pra lerem, que são a Carol, a Samara, o Fábio e o Lenon, que são excelentes amigos e que me ajudam muito, dizendo a opinião sincera deles.

Então, eu espero que vocês aproveitem a leitura, e que cada conto aqui postado sirva como uma reflexão pra efemeridade da vida,pra pensarmos o quão breve é nossa existência, e o que fazemos por nós mesmos.

Um grande beijo, um enorme abraço, e sinceros votos que retornem mais vezes, e caso se sintam à vontade, deixem um comentário.

Muito obrigado por tudo

03

Há muitos anos eu não entrava nesse lugar. A entrada parece completamente diferente, os letreiros... claro, a cidade cresceu, e bastante, parece certo que as coisas da cidade também cresçam... mas as pessoas são completamente diferentes, as roupas, os olhares... é tudo tão imediatista, tão repentino...


Eu pago o táxi e entro pela porta dupla; pago a entrada e já me encaminho ao bar... acho que velhos hábitos nunca morrem, apenas ficam adormecidos ali no canto, hibernando em silêncio... a maior parte das pessoas bebe essas cervejas estranhas, pra mim todas elas têm gosto de mijo, sempre tiveram, mas nos meus tempos de adolescente era legal sentar na esquina de noite com a galera e comprar das mais baratas, no posto do outro bloco e a gente bebia e falava merda a noite toda, só pra preocupar nossos pais.


As batidas da música me alcançam no mesmo instante em que o gelo do copo toca os meus lábios... não é de todo ruim, mas ainda assim, ambos diferentes... a bebida é aceitável, a música é tolerável. Não sei como agir nessas horas. O fluxo de pessoas vai em direção à uma escada pro segundo andar, e eu sigo, de forma quase involuntária. Lasers verdes pontuam o teto, numa constelação imaginária.


Claro-escuro-claro-escuro-claro-escuro-escuro-escuro-claro-escuro-claro-escuro-escuro-branco-escuro-claro-escuro-claro-escuro-buzina-escuro-claro-escuro-claro-escuro


Demora, mas meus olhos se acostumam com a variação luminosa. O espaço é maior do que parece, com algumas plataformas onde homens sem camisa dançam. Muitas mulheres dançando, despreocupadas, algumas se tocam, se beijam, alguns homens olham, não com desejo, como eu estou acostumado a ver. Alguns homens trocam olhares, outros, carícias. Bancos estrategicamente posicionados servem como repouso pros cansados de dançar, e como refúgio praqueles que buscam os braços do parceiro da noite.


Os corpos se movem sem ritmo, a batida parece contagiar. Uma ou outra vez eu percebo alguma letra, algum remix? Não é importante saber, não faz nenhuma diferença nesta noite, não faz diferença em noite nenhuma.


Escuro-claro-escuro-claro-escuro-globo espelhado-espelhos nas paredes


É, o meu reflexo. Os fios brancos parecem se destacar, por mais que ninguém mais perceba, não se pode mentir a idade pra nós mesmos, e olhando ao meu redor, nem de longe eu sou velho neste ambiente. Achei que seria diferente, que seria considerado um “tiozão”


Eu procuro um lugar mais agradável, onde eu possa ver tudo, onde eu não perturbe, e nem vá ser perturbado, de preferência perto do bar. Passando por trás da cabine do DJ dois lances de escada, um subindo e um descendo, grandes chances de serem outros ambientes, os quais eu ainda não quero conhecer.


A música começa a fazer efeito, primeiro você mexe os pés devagar, improvisando uma batida, o pescoço lentamente começa a se mover, e em seguida as mãos, segurando-se firmes, por vezes enfiadas nos bolsos, até que você se rende e começa a se mexer no mesmo compasso que as outras pessoas, cada uma no seu estilo, cada uma do seu jeito, um ritual coletivo, e ainda assim individualista, os olhos fechados, os lábios murmurando alguma prece estranha numa língua ininteligível.


É vibrante, contagiante, incompreensível, essa força vital que sobe da pista, o ritmo descontrolado das batidas e das pisadas, dos beijos e segredos trocados ao pé do ouvido, das mãos que procuram, dos corpos que se encontram, eu abro os olhos umas três vezes, motivado pelo barulho não-harmônico e pela impressão de proximidade, nas três vezes eu sorrio, algumas frases são trocadas, eu sorrio de novo enquanto balanço a cabeça, negativamente. Um aperto de mão, um tapinha nas costas e um agarrão na cintura, as três reações, em ordem, ao que eu respondo com uma nova negativa. Não é nada com eles, é comigo.


Incrível como nós só pensamos na vida a partir da possibilidade da perda. Três longos anos já se passaram, mas eu ainda lembro de cada detalhe, cada imagem, e a dor nunca diminui, sempre fica aquela marca indelével, você acorda, trabalha, conversa, passeia, dorme, e continua lá, do mesmo jeito, o máximo que acontece é que fingimos pra nós mesmos que superamos.


Escuro-claro-escuro-claro-escuro-lasers verdes-jogo de luzes-muda o DJ-claro-escuro-claro-escuro


A sirene toca de novo, o ritmo das músicas muda, muitas pessoas vão pra trás da cabine do DJ, em direção às escadas, e eu não tinha percebido o quão grande era o lugar, e o quanto de público ele atrai, visto que mesmo com muitas pessoas subindo, ainda passa a impressão de lotado, ou pode ser que realmente esteja lotado.


Hora de ir ao banheiro, apenas uma porta -banheiro coletivo- eu dou de ombros e vou em direção ao mictório. O cara do meu lado me dá uma olhada e passa a língua nos lábios. Sei bem o que ele quer, não é a minha. A mão dele me procura, a minha mão a interrompe, enquanto eu me dirijo pra lavar as mãos. Ecos do passado, um passado bem distante, mas não esquecido.


Eu tinha vinte e dois quando a gente se conheceu, e vinte e seis quando demos o primeiro beijo. Trinta quando resolvemos juntar as coisas e dividir um apartamento minúsculo. Com trinta e cinco o Destino achou engraçado jogar um carro contra o nosso. Setenta e cinco pontos, dois parafusos no braço, uma fratura exposta na perna, meses de fisioterapia, e uma vida de solteiro num apartamento de casal.


Tem dias em que é mais difícil lidar com a perda, tem dias que é menos difícil, mas nunca fica mais fácil.

A música que eu conhecia acabou e eu nem percebi, estava perdido demais nos meus próprios pensamentos de solidão.


Escuro-claro-escuro-claro-escuro-lasers verdes-escada - pé ante pé – subindo-escuro-claro-escuro-claro-escuro


O andar acima tem música pop, nada de remixes, as paredes não são espelhadas. A cabine do DJ é num canto, perto de janelões fechados, ar condicionado a toda. As pessoas parecem diferentes, os lasers deste andar são vermelhos, me dão a freqüente impressão de estar sob mira de alguma arma.


As luzes são mais fracas, os abraços mais apertados, os beijos mais longos e as carícias mais íntimas. O álcool também aumenta em concentração, pelo menos pra mim, e mais duas vezes eu ouço sussurros ao meu ouvido. O primeiro é encarado com surpresa, e uma recusa, o segundo conquista a minha mão na cintura, o abrir dos lábios, o contato com a língua dele, devagar, melodiosa, as coxas dele contra as minhas. Há muito tempo não tinha nada assim.


Sentamos no sofá, palavras doces são trocadas ao pé do ouvido, seguida de mordicadas de leve no queixo, no lóbulo da orelha, as mãos dele procuram os botões da minha blusa, a minha mão procura a barriga dele, pêlos aparados, nenhum tanquinho, felizmente. Parece que a febre do verão, em prol de um abdome de tanquinho ainda não alcançou a todos os lugares, felizmente. O cavanhaque dele no meu pescoço, a respiração dele eriçando os pêlos da minha nuca, mais beijos, mais mãos, menos botões.


Claro-escuro-claro-escuro-claro-escuro-escuro-escuro-claro-escuro-claro-escuro-escuro-branco-escuro-claro-escuro-claro-escuro-buzina-escuro-claro-escuro-claro-escuro


Ele segura minha mão, eu sei o que ele quer, eu vou até o guarda-volumes e deixo carteira, celular, chave de casa, e guardo o canhoto que me entregam no sapato; ele ainda me espera, sorrindo –é um sorriso?- Ele me pega pela mão e me beija. É, não tem nada na boca dele. Não seria a primeira vez que tentam me passar alguma coisa durante um beijo. Ele desce o primeiro lance de escadas, eu desço atrás, ele ri –desta vez foi uma risada!- e desce o segundo, eu respiro fundo e desço junto.


Escuro-escuro-escuro-mãos-calça-peito-escuro-mão-vultos-rostos-mãos-tropeços-corpos-pés-escuro-escuro-escuro-olhos fechados-gemidos-sussurros-escuro-escuro-cheiros-toques-contato-escuro


A mão dele segura a minha e me coloca contra a parede, meus olhos já começam a se acostumar, a distinguir os vultos se entregando totalmente, uns aos outros, ninguém pertence a ninguém nessa liberação sexual, nessa confusão de mãos e corpos. As mãos dele passam pela fivela do meu cinto e abrem meu zíper, e eu sinto os lábios dele descendo pelo meu peito enquanto ele parece se ajoelhar. O casal ao lado faz o mesmo, e o homem em pé, o loiro –parece loiro, será realmente?- inclina a cabeça pra mim, pedindo um beijo, que eu de bom grado concedo. Mãos me tocam, eu sinto os lábios da minha dupla em mim, minhas mãos procuram outra pessoa, numa confusão total, onde eu estou além dos limites do meu próprio corpo, onde os limites não são importantes, e a indefinição é a única coisa que nos une.


Escuro-escuro-escuro-lábios-pênis-peito-escuro-mão-nádegas-mamilos-mãos-borracha-costas-inclinar-escuro-escuro-escuro-olhos fechados-força-empurrar-gemidos-sussurros-escuro-escuro-beijos-mordidas-reentradas-escuro-escuro


Eu suo, eu sinto o suor de outros em mim, eu sinto os quadris da minha dupla me pressionando contra a parede, as mãos dos outros sobre mim, me tocando, me explorando, e com um gemido meu, um beijo da minha dupla, a borracha é jogada no chão, ele se veste e sobe, enquanto eu continuo, sem saber os meus próprios limites.


Outras mãos, outros lábios sobre mim, em todos os lados, por todos os ângulos, eu sinto as pessoas às minhas costas, o casal do meu lado se separou, o loiro à minha frente, apoiado em algo, reclinado pra frente, me convidando pra possuí-lo, enquanto o parceiro dele, cujo rosto eu sequer vi, pede pra que eu me incline. Pele na pele, sem borracha, meu corpo involuntariamente reclama, ao mesmo tempo em que o loiro reclama da invasão, a pele, o cheiro, o suor, o contato, os movimentos, a escuridão, somos todos um aqui, sem limites do ser ou do existir.


Escuro-escuro-escuro-lábios-pênis-peito-escuro-mão-nádegas-mamilos-mãos-borracha-costas-inclinar-escuro-escuro-escuro-olhos fechados-força-empurrar-gemidos-sussurros-escuro-escuro-beijos-mordidas-reentradas-escuro-escuro-gozo


Eu termino de me vestir enquanto mãos alienígenas ainda percorrem o meu corpo, estou cansado, dolorido, sujo até, tenho essa certeza, mas nada disso é importante, nada mais importa.


Eu subo as escadas devagar, e um mundo inteiro de claridade se revela pra mim; não sei quanto tempo eu fiquei naquela sala repleta de escuridão, mas sei que eu quero ir pra casa. Eu vou ao guarda-volumes e pego o que é meu, e sigo em direção ao caixa, pago minha comanda e sinalizo pro táxi. Dou o endereço. Um olhar reprovador, mas eu já encarei tantos outros, muito piores na verdade. Dos meus pais, dos meus ‘amigos’, da minha ‘namorada’, não vai ser esse taxista que vai me intimidar.


E no banco de trás do carro, enquanto o mundo se ilumina, eu penso em tudo o que já foi tirado de mim, em todas as juras e promessas e sonhos de um dia viajar pra fora do país, ou adotar uma criança, ou mesmo sossegar um tempo no Nordeste, e como tudo isso foi arrancado de mim por um motorista voltando de uma balada, exatamente como eu faço agora.


É uma sensação de vazio tão grande, tão opressiva, mas eu já me condicionei a não chorar, eu sei que desde aquele momento, há três anos, meu destino era permanecer sozinho. Ele foi o único que entendeu e aceitou a minha condição, e estar com ele era mágico, e único, e ninguém tem culpa por isso, e ao mesmo tempo todo mundo tem culpa da minha condição. Irresponsabilidade minha, em tempos de juventude, loucuras de uma noite que a gente vem a se arrepender depois.


Eu não me arrependo mais; eu sou amargo, sou ressentido, sou hipócrita, eu sorrio quando vejo que não tem borracha. Do jeito que me tiraram o sentido da vida, eu condeno cada um deles a uma existência tão torturada quanto a minha. Sou torpe, sou vil, sou tão humano quanto qualquer um deles. Não escolhi minha condição, mas eu não recuso, nem rejeito ser como sou. E é assim, um dia depois do outro, até que uma infecção me leve.

Eu chego em casa, pago a corrida e subo, esperando por mim, dois gatos, e um coquetel, que tem sido meu fiel companheiro na imensidão desse apartamento minúsculo onde eu projetei minhas esperanças.


Esperanças como um castelo de cartas, que perdeu sua base três anos atrás, e agora, eu não ligo, tudo pode ir pra casa do caralho, pq eu sei exatamente que a doença e a morte me esperam.


segunda-feira, 12 de outubro de 2009

02

A torradeira apita e ejeta duas fatias de pão perfeitamente douradas, sem casca. Os ovos mexidos no canto direito do prato, as três tiras de bacon alinhadas no canto esquerdo. Guardanapo de algodão branco, impecável, cobrindo os talheres prateados. O copo de suco de laranja, apenas duas colheres pequenas de açúcar, coado e sem espuma, do jeito que ele gosta.


Eu ouço os passos dele na escada e me apresso em colocar o jornal em posição, minhas mãos no avental, um sorriso no rosto enquanto ele desce, já arrumado, o cheiro de loção pós-barba no ar. Ele pega o jornal sobre a mesa e o folheia enquanto come apressadamente. Eu separo o paletó para ele enquanto ele escova os dentes, e ele deixa "dinheiro" sobre a mesa, ao lado do prato, como se eu fosse uma garçonete qualquer, e sai, balançando as chaves do carro, mas não sem antes esperar que eu abra a porta.


Eu observo da varanda até que o carro cruze a esquina, assim como as outras esposas o fazem. Todas nós, com nossos aventais impecáveis, nossos cabelos presos e uma bela aliança que brilha ao sol que acabou de nascer, cada uma com seu orgulho pela bela casa, os belos jardins que cultivamos, sem nenhuma erva daninha. Nossos arbustos perfeitamente cortados, simétricos.


Mais meia hora exatamente até que a doméstica chegue nesta manhã de segunda-feira; usamos apenas o termo doméstica, não mais empregada, como nos tempos da minha avó. É tarefa delas lavar os banheiros, encerar os pisos, tarefas indignas de uma mulher casada. Porque nenhuma delas tem marido, pobres coitadas; a maior parte tem um amante, ou é “amigada” com alguém, longe da vida estável que o casamento proporciona. Elas chegam num ônibus verde, cada qual pra uma casa, rapidamente, pela porta dos fundos.


A lista de tarefas está pronta sobre o balcão, eu confiro mentalmente as necessidades da casa e comparo com minha lista, tudo confere, pego a cesta de vime, tão bem trançada e detalhada, uniforme entre nós que iremos ao mercado, e me dirijo à porta, parando apenas para pegar o chapéu e as luvas. Não é de bom gosto que senhoras casadas apresentem-se de qualquer maneira na frente dos outros, foi a primeira lição de minha mãe quanto à minha vida de casada.


Na soleira da porta vejo minhas vizinhas se preparando para a mesma empreitada. Um aceno de cabeça apenas por educação, pra mostrar que reconheço a existência dessas outras mulheres cuja felicidade se rivaliza à minha. Elas respondem, com um sorriso, e meus pés se movem, um após o outro ao longo da calçada, em direção aos mercados. É um lindo dia de sol, mas sem estar abafado.


Nossa pacífica vizinhança é como uma ilha de tranqüilidade, é só andar alguns blocos para que o cenário mude; já é possível ver os carros da guarda, controlando a entrada e saída. Eles cumprimentam a todos nós do mesmo modo, formal e impessoal, nada seria melhor.


Aqui as casas são menores; as pessoas, piores. Naquela casa de esquina mora Tânia e sua amante. Quão repulsivo me é o pensamento de uma mulher entregando-se a outra, uma afronta aos olhos de Deus e dos homens. Qual a lógica ou razão disso? Onde está o sagrado fim reprodutivo que Deus nos confiou? Mulheres baixas, repugnantes... deveriam ser mandadas pra longe, junto com os sem-teto, os mendigos... mas somos obrigadas a conviver com esse câncer entre nós.


No outro bloco fica uma lavanderia. Todas as esposas sabem realmente o que acontece dentro daquelas paredes; apenas homens são vistos entrando, geralmente no período da tarde e da noite; aquelas asiáticas, com seus olhos puxados e seus feitiços do oriente, seus risos miúdos e pele amarelada, macilenta, nenhuma delas sabe o prazer de se dedicar a apenas um homem, que te satisfaz em todos os aspectos. Putas, piranhas, degeneradas! Posando de trabalhadoras honestas! Uma delas acabou de sair pra pendurar a placa de “estamos abertas”. Claro que estão! Mulheres repulsivas! Envergonha-me ter que dizer que são mulheres... são fêmeas, como os animais! Ela acena com a cabeça, eu e algumas outras viramos o rosto; elas têm que saber que não são parte, e que nunca serão.


Finalmente o mercado! Mas ainda não o nosso. As primeiras lojas são pras largadas, viúvas, todas as infelizes inferiores. Suas roupas justas, maquiagem nos rostos, usando o exterior pra seduzir e disfarçar seus interiores de serpentes; criaturas falsas, enganadoras! É sempre tão repulsivo ter que andar por entre elas, como água e óleo, não nos misturamos, ficamos sempre em evidência quando confrontadas com elas, seus lábios vermelhos, olhos pintados de preto, ainda que seja de manhã, as bijuterias de plástico nas orelhas, no pescoço, os anéis de metal vagabundo...


Quase com uma pressa que não me é característica eu entro na loja, entrego o papel com as anotações ao dono, um homenzinho gordo e ensebado, quase careca, com seus quarenta e poucos anos. Ele grita pro ajudante, um mocinho com seus dezoito, ou quase isso, cabelos pretos, uma rede sobre eles, já que está mexendo com comida; ele pede a minha cesta, que eu entrego, e ele coloca rapidamente os produtos nela. Hora do "dinheiro"; eu passo meu cartão na máquina. Há muito tempo não usamos mais dinheiro de papel; a transação é consumada, e eu volto pra casa enquanto as outras esposas são atendidas.


O caminho de volta é sempre mais apressado, o sol já se levantou por completo, pequenas ondas de vapor sobem do asfalto, e nós, esposas, andamos apressadas pelas calçadas, acenando delicadamente umas para as outras com quem ainda não falamos. O trajeto é intenso, e revoltante, as largadas, as viúvas, as putas, as pervertidas, todas estão ali, olhando, uma mistura de inveja e ódio estampada nos seus olhares.


Fecho a porta de casa, afoita, deixo a cesta sobre o balcão da cozinha; a doméstica está ocupada. Rapidamente eu subo os lances de escada e me tranco na segurança do meu quarto. Abandono o chapéu e as luvas sobre a cama de casal, com os lençóis brancos, o dossel de renda... nunca me faltou nada aqui, mesmo nas noites em que meu esposo mal me toca, mas é a felicidade que eu posso querer, a respiração dele no meu pescoço, pequenos olhares de cumplicidade à hora da refeição, quem se importa com a “felicidade” que essas mulheres da rua têm?


Um a um, os botões saem de suas casas, e o vestido é abandonado no chão do quarto, o som da água gorgoleja em meus ouvidos, preenchendo a banheira, primeiro um pé, depois o outro, ajoelhando-me devagar na água quente, o cabelo preso em um coque rapidamente se desfaz, caindo pelas costas, grudando na pele.


Eu estico as pernas, olho pra água, meus seios não são mais tão bonitos como quando me casei, a pele continua pálida e suave, mas sinto como se alguma chama tivesse se apagado. De forma inconsciente, minha mão desce até a minha cintura, e eu percebo que a única coisa que me envolve desta forma é a minha roupa. Há muito meu esposo não me toca desta forma. Minhas coxas continuam torneadas, e entre minhas pernas, continuo a mesma, com quase tanta experiência como quando ainda era uma virgem.


As mãos se movem mais uma vez. A porta está trancada, ninguém precisa saber, ninguém vai me condenar pelo meu prazer solitário, desde que nenhum som escape deste cômodo; é meu maior segredo. Aqui eu sou Tânia, se contorcendo de prazer enquanto as mãos de sua amante exploram seu corpo, sou cada uma daquelas putas da lavanderia, com línguas explorando cada cavidade, me colocando em poses vergonhosas pra cada um de meus machos, e o dono da venda, e seu ajudante, os dois me tomando por suas, ao mesmo tempo, segurando-me pelas ancas, puxando meus cabelos, mordendo meus seios até deixarem marcas, e tudo isso aos olhos do meu esposo.


Mas ninguém precisa saber, e quando eu abrir o ralo, essas fantasias proibidas também irão escorrer, até o próximo banho.